Produtor espera preço da arroba suína acima de R$ 50,00
Menor oferta de animais obriga aumento nos preços até setembro, diz presidente da APCS
Podcast.
A crise que a suinocultura brasileira enfrentou nos últimos meses está ficando para trás. Nos últimos dez dias houve uma reação dos preços e o mercado já trabalha pagando R$ 50,00 a arroba da carne. A indicação da Bolsa Paulista de Comercialização de Suínos já contempla o valor de R$ 52,00 como preço de referência para pagamento em 21 dias.
Entre os fatores apontados para a retomada nos preços está a baixa oferta de animais para o abate. Com a quebra de 20% na produção de carne suína em 2009, muitos produtores optaram por abater animais precocemente no período natalino, uma oferta que seria destinada ao mercado entre os meses de fevereiro e março.
“Estamos vivendo um ano atípico. Os preços subiram no período do Carnaval, o que não ocorreu nos últimos anos. A expectativa é de que no mês de abril tenhamos um equilíbrio entre oferta e demanda. Entretanto, não teremos como aumentar a oferta de carne no mercado até o mês de setembro, pois o ciclo reprodutivo é de seis meses e os animais já estão nas granjas”, explica Valdomiro Ferreira Júnior, presidente da APCS (Associação Paulista de Criadores de Suínos). Ouça podcast.
A expectativa é de que os preços reajam ainda mais após a Quaresma, quando o consumo costuma aumentar. “Além do aumento no consumo previsto para esta época, a Abipecs (Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína) sinaliza um crescimento nas exportações nacionais com a conquista de novos mercados. Além disso, há o aumento do volume exportado para compradores tradicionais, como a Rússia”, observa Ferreira Júnior.
Receitas x despesas
Mesmo com a melhoria no preço da arroba suína, os produtores ainda amargam os prejuízos de 2009, quando o preço praticado ficou abaixo do custo de produção. A crise foi responsável pela quebra de 20% da produção, com a desistência e fechamento de diversas granjas e uma menor entrada de animais para engorda.
“A crise no ano passado não foi tão profunda, mas ela foi longa, durou praticamente o ano todo. Isto desestimulou muitos produtores. O aumento do preço nos últimos dias é relativo, simplesmente estamos voltando aos patamares de dois anos atrás, antes da crise. Recebendo R$ 49,00, R$ 50,00 por arroba não significa que estamos conseguindo um preço astronômico. São 33% a menos que o maior preço registrado pela carne suína”, diz José Ovídio Sebastiani, suinocultor em Boituva, no sudoeste paulista.
Mercado interno
São Paulo é o único Estado brasileiro que importa carne suína de outras regiões do País. Com maior densidade populacional, o Estado consome 650 mil toneladas de carne suína, mas consegue produzir apenas 280 mil toneladas.
“Importamos 60% do que consumimos, portanto o mercado interno é nosso foco, que tem um potencial enorme de crescimento, levando em consideração que a carne suína é a mais consumida e a mais produzida no mundo. Em países europeus a média de consumo per capita é de 44 quilos por ano, enquanto no Brasil não passamos de 14 quilos por ano”, analisa o presidente da APCS.
Alimentação
A volta ao azul na contabilidade suína também se deve ao preço defasado das cotações do milho e do farelo de soja, ingredientes principais da alimentação suína. Como toda atividade agrícola, os baixos preços no mercado também podem desestimular os produtores a plantar o grão e nas próximas safras ocorrer uma menor oferta.
“O custo de produção dos suínos está entre R$ 45,00 e R$ 46,00 por arroba, considerando a saca do milho a R$ 18,50 (60 quilos) e a tonelada do farelo de soja custando R$ 540,00. O suinocultor está obtendo até R$ 20,00 de lucro por animal. Mesmo assim, precisamos manter o preço acima de R$ 50,00 por arroba, por seis meses, para amortizar os prejuízos”, conclui o presidente da APCS.
Bruno Sales/Campo News - 18.03.2010
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